As condições empresariais da Austrália mantiveram-se estáveis em junho, com o alívio das pressões sobre os custos na sequência de um acordo de paz entre os EUA e o Irão, embora as hostilidades renovadas no Golfo tenham voltado a fazer subir os preços do petróleo, de acordo com um inquérito divulgado na terça-feira.
O índice de condições empresariais do National Australia Bank manteve-se em +3 em junho, marcando o terceiro mês consecutivo a esse nível[reference:55]. A confiança empresarial também melhorou acentuadamente, passando de -14 em maio para -5[reference:56].
A melhoria foi atribuída aos desenvolvimentos positivos no Médio Oriente, onde os EUA e o Irão assinaram um acordo para pôr fim a uma guerra de vários meses que desencadeou um choque energético global[reference:57]. O inquérito mostrou que o crescimento dos preços dos produtos voltou em junho ao nível de fevereiro, enquanto os preços a retalho caíram pela primeira vez em sete anos[reference:58].
"Num sentido macroeconómico mais amplo, os resultados do inquérito empresarial continuam consistentes com um abrandamento do crescimento da atividade no primeiro semestre de 2026, mas também mostram que o impacto do conflito no Médio Oriente foi menos severo em termos de atividade e pressões sobre os preços do que se temia", afirmou a NAB[reference:59].
No entanto, as tensões voltaram a aumentar no Golfo esta semana. Os EUA retomaram os ataques militares contra o Irão e restabeleceram o bloqueio ao transporte marítimo através do Estreito de Ormuz[reference:60]. O preço do Brent subiu 2% para 85 dólares por barril, o nível mais alto desde meados de junho, depois de ter saltado quase 10% durante a noite[reference:61].
O Reserve Bank of Australia aumentou as taxas de juro três vezes este ano para 4,35% para contrariar o choque energético global[reference:62]. Manteve a política inalterada em junho, mas advertiu que não se podia excluir um novo aperto[reference:63].
O índice de condições empresariais continua 4 pontos abaixo da sua média de longo prazo e muito abaixo do pico de 11 pontos registado em outubro do ano passado[reference:64]. Numa base de média móvel de três meses, as condições continuam a tender para baixo ao longo de 2026, reforçando a visão de que o impulso subjacente tem vindo a abrandar[reference:65].
As perspetivas dependem agora de saber se as tensões renovadas no Médio Oriente se intensificarão ainda mais, o que poderá reavivar as pressões inflacionistas e forçar o RBA a retomar o seu ciclo de aperto.