A Coal India avalia uma aquisição ligada ao negócio chileno de lítio da Wealth Minerals, mantendo uma joint venture como estrutura alternativa. As conversas colocariam a maior produtora mundial de carvão ao lado do projeto Kuska da junior canadense no norte do Chile, mas nenhuma transação vinculante, preço de compra ou arranjo definitivo de propriedade foi anunciado.
As negociações chegaram a uma fase avançada após meses de contatos, porém a condição decisiva é regulatória. A Coal India não pode avançar com a compra antes de o projeto obter a autorização chilena necessária para extrair lítio. As partes enfrentam, portanto, duas negociações distintas: a estrutura societária entre investidor e titular do ativo e o Contrato Especial de Operação de Lítio, ou CEOL, com o Estado chileno.
O processo de Kuska avançou em 2 de janeiro de 2026, quando o Ministério de Mineração do Chile aceitou o pedido de CEOL do consórcio e determinou que os requisitos formais haviam sido cumpridos. A aceitação não concedeu por si só direitos de extração. Os termos contratuais ainda precisam ser negociados e incorporados a um decreto supremo presidencial antes da certificação da licença.
A Wealth detém 95% da Kuska Minerals, enquanto a Comunidade Indígena Quechua de Ollagüe possui 5%, proteção contra diluição e o direito de indicar um dos cinco diretores. Essa estrutura importa para qualquer proposta da Coal India: comprar a unidade chilena ou formar uma joint venture não eliminaria automaticamente a posição protegida da comunidade, e o perímetro exato da operação não foi divulgado.
A avaliação econômica preliminar de 2024 descreveu uma operação de 20 mil toneladas anuais de carbonato de lítio equivalente durante vinte anos. Estimou US$ 749 milhões de capital básico, mais US$ 44 milhões para exploração e licenças, valor presente líquido antes de impostos de US$ 1,65 bilhão a uma taxa de desconto de 10% e TIR antes de impostos de 33%. É um estudo preliminar, não uma decisão de construção nem uma garantia de produção.
Kuska informa recursos indicados de 741 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente, com média de 175 miligramas por litro, e recursos inferidos de 701 mil toneladas a 185 miligramas por litro. A posição financeira da Wealth é muito menor que a exigência de desenvolvimento: em 31 de maio, tinha US$ 78.218 em caixa, US$ 1,72 milhão em títulos negociáveis e US$ 807.202 de capital de giro, e continuava afirmando que precisa de recursos adicionais significativos.
A Coal India chega às conversas em outra escala, após produzir 768,19 milhões de toneladas de carvão no ano fiscal encerrado em março de 2026, ante 781,06 milhões um ano antes. Uma posição no lítio chileno apoiaria a estratégia do governo indiano de assegurar minerais críticos no exterior e reduzir dependências na cadeia de suprimentos, além de oferecer à empresa um caminho além do carvão térmico.
Os próximos marcos são os termos negociados do CEOL, o decreto presidencial, a conclusão das diligências jurídica e técnica e um acordo sobre avaliação, governança e financiamento. Até essas etapas serem concluídas, nem aquisição nem joint venture estão asseguradas. O ativo pode ter valor estratégico e um modelo preliminar positivo, mas ainda requer licença, capital substancial e decisão final de investimento antes de se tornar oferta operacional de lítio.