O investimento em inteligência artificial atingiu escala que, ajustada pela inflação, supera implantações anteriores de ferrovias e internet. Uma projeção central coloca o gasto global acumulado com data centers acima de US$ 30 trilhões até 2050, perto do valor dos Treasuries em circulação.
Os números são previsões, não dinheiro já gasto. Um grande desenvolvedor planeja US$ 518 bilhões em tecnologia e infraestrutura nos próximos anos, segundo prospecto de IPO, mais de cem vezes sua receita de 2025. A comparação mostra lacuna financeira, não gasto ou retorno garantidos.
Uma estimativa diz que hyperscalers americanos e outras empresas precisariam de mais de US$ 4,2 trilhões em novas receitas em cinco anos. Ganhos dos mercados existentes podem não bastar; mercados inteiramente novos em robótica, materiais e outras aplicações teriam de surgir.
A barreira de produtividade é igualmente alta. Uma análise calculou que a produtividade dos EUA precisaria crescer de 3% a 5% ao ano por uma década para justificar a avaliação da Nvidia, ante projeção básica de 1,75% do Escritório de Orçamento do Congresso.
Só nos EUA, o investimento projetado pode chegar a cerca de US$ 9 trilhões entre 2025 e 2032, equivalentes a 3,2% do PIB por ano. Um economista estimou que o setor precisaria gerar US$ 3,55 trilhões em receita anual em 2032 para retorno de 10%.
A dívida amplifica o risco de tempo. Com alavancagem, queda moderada da demanda, atrasos ou valores menores dos ativos podem produzir perdas muito maiores. A receita deve chegar antes que os prazos de pagamento e refinanciamento se tornem restritivos.
A história recomenda paciência. O efeito de grandes tecnologias na produtividade ampla costuma levar de 10 a 50 anos. Evidências iniciais mostram menor contratação de alguns jovens em ocupações expostas, mas ainda não definem a transformação macroeconômica final.
Um boom pode decepcionar investidores sem tornar a infraestrutura inútil. Ferrovias sobreviveram às falências de promotores e a internet à bolha pontocom. A questão é se as aplicações gerarão receita a tempo para a estrutura atual de financiamento.