A Lazard reportou queda de 91% no lucro do segundo trimestre, mostrando que a recuperação da assessoria financeira continua irregular mesmo com partes dos mercados de capitais reabertas. O lucro líquido caiu para US$ 5 milhões, ou 3 centavos por ação, ante US$ 55 milhões, ou 52 centavos por ação, um ano antes.
A queda foi impulsionada por uma taxa tributária elevada e menor receita em financial advisory, o negócio central de banco de investimento da Lazard. O resultado contrasta com um mercado mais amplo em que mesas de trading e algumas áreas de underwriting se beneficiaram de volatilidade, maior emissão de ações e retomada corporativa.
A administração responde com uma reformulação mais profunda da franquia de assessoria. A Lazard disse ter eliminado mais de 80 cargos de managing director, cerca de 40% desse grupo, enquanto planeja contratar banqueiros em áreas de maior crescimento, como saúde, industriais e tecnologia de defesa.
A gestão de ativos ofereceu contrapeso. A receita dessa divisão subiu 23%, ajudada por fluxos recordes, e os ativos sob gestão aumentaram para US$ 285 bilhões, ante US$ 248 bilhões um ano antes. Esse desempenho ajudou a receita ajustada a subir 2%, para US$ 786 milhões, acima das expectativas.
A questão estratégica é se a Lazard conseguirá converter a reestruturação em fees de assessoria mais fortes até 2027. Para investidores, o trimestre mostra uma firma com base valiosa em asset management, mas com uma franquia de deal advisory ainda exposta a efeitos fiscais, mix setorial e demanda transacional irregular.