Os Estados Unidos imporão tarifas de 25% sobre as importações brasileiras a partir de 22 de julho, após uma investigação de um ano do Escritório do Representante Comercial dos EUA que concluiu que a décima maior economia do mundo se envolveu em uma série de práticas comerciais desleais.
A ordem, proposta pela primeira vez no mês passado, isenta certos bens que não são produzidos nos EUA ou que, segundo as autoridades, poderiam perturbar as cadeias de abastecimento. Os produtos isentos incluem café, carne bovina, laranjas e suco de laranja, alguns produtos energéticos de petróleo e gás, e componentes e peças aeroespaciais. A investigação do USTR citou a aplicação frouxa do combate à corrupção e tarifas injustas, entre outras práticas consideradas irracionais e desleais.
O Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou em comunicado que a medida era necessária para garantir que os trabalhadores e empresas americanos competissem em condições de igualdade. "As extensas negociações com o Brasil no último ano não resolveram estas questões, mas continuamos abertos a continuar as negociações com o Brasil para efetuar as mudanças tão necessárias nos problemas identificados nesta investigação", disse.
A medida suscitou fortes críticas do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou as tarifas como injustificáveis e prometeu impor medidas recíprocas. Lula apontou para considerações políticas, culpando o seu rival nas eleições de outubro, o senador Flávio Bolsonaro, que visitara recentemente Washington e é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do presidente Donald Trump.
O Secretário de Estado Marco Rubio defendeu a decisão, publicando no X: "Não haja confusão sobre o porquê: o presidente Lula e o seu governo não negociaram com os EUA de boa fé. As suas políticas económicas são más para os americanos e más para os brasileiros. Durante o último ano, Lula colocou o seu próprio ego acima da obtenção de um acordo para o bem-estar do povo brasileiro, e estas tarifas são o preço a pagar por isso."
As tarifas estão a ser impostas ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio de 1974, que permite aos EUA investigar e responder a práticas comerciais estrangeiras. A medida surge depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter decidido em fevereiro contra muitas das tarifas de Trump impostas ao abrigo de uma lei diferente, a Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional de 1977, tendo concluído que ele tinha excedido a sua autoridade ao abrigo dessa lei. Trump tinha anteriormente imposto uma tarifa de 50% sobre o Brasil para protestar contra o processo de Jair Bolsonaro por tentar anular a sua derrota eleitoral de 2022.
Apesar das tensões, a relação de Trump com Lula parecia ter melhorado em maio, quando o presidente brasileiro visitou a Casa Branca. As novas tarifas ameaçam agora desfazer esse progresso e escalar uma disputa comercial que pode ter implicações mais amplas para as relações entre os EUA e a América Latina.